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Zé Ramalho homenageia Bob Dylan, cantando suas canções em CD e DVD
05 de Janeiro de 2009, às 15:58
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Denominado pela jornalista Ana Maria Bahiana como “Ramalho Dylan” ou “Zé Zimmerman da Paraíba”, o músico Zé Ramalho nunca escondeu a forte influência que a obra de Bob Dylan sempre exerceu sobre suas canções

Nada mais natural, portanto, que finalmente este paraibano de Brejo da Cruz arremate uma sólida homenagem fonográfica ao ídolo americano, ensaiada em duas ocasiões anteriores: em 1992, com Frevoador, sua versão para Hurricane, e, em 1997, quando transformou Knockin'on Heaven's Door em Batendo na Porta do Céu (as duas incluídas  neste novo projeto).

Zé Ramalho Canta Bob Dylan “é um trabalho há muito esperado", diz Bahiana, que apresenta e comenta  o CD/DVD lançado pela EMI e produzido por Robertinho do Recife. A capa do projeto recria uma das imagens do videoclipe da canção Subterranean Homesick Blues, original de 1965. Zé Ramalho elege 12 clássicos de Dylan, a maioria das décadas de 60 e 70, e promove “transfigurações” – para usar o termo com que a jornalista se refere às versões do autor de Avôhai – que aproximam as canções de Dylan das fronteiras nordestinas do som. Entre homenagens inéditas e outras mais antigas, como a conhecida Negro Amor (And It's All Over Now, Baby Blue),  de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti, e O Amanhã é Distante (Tomorrow is a Long Time), sucesso na voz de Geraldo Azevedo, Zé  Ramalho mantém apenas uma canção na língua original, If Not For You, do álbum New Morning, de 1970, esta também já gravada por George Harrison.

Declarado  – A instrumental Wigwam virou dedicatória explícita, Para Dylan, que abre o projeto com versos como: “Eu te vejo assim como uma vela que acende/ Ou como disse Elton John/ ‘Like a candle in the wind’”.  “Existe um terrritório muito interessante onde o reggae e o xote se dão os braços e saem dançando pelo salão. Zé Ramalho percebeu isso e, da fase mística de Bob Dylan, fez a sua versão para O Homem Deu Nome a Todos Animais”, anuncia Bahiana ao falar da releitura de Man Gave Names To All The Animals (1979).

Na seqüência, Things Have Changed se transforma em  Tá Tudo Mudando (nome emprestado ao subtítulo do DVD), com participação de Roberto Frejat na guitarra. Aliás, estas ocupam lugar de honra, ao lado de sanfona, viola e até sitar, tocada pelo próprio Robertinho do Recife, cujos acordes de guitarra são ouvidos em  Rock Feellingood (Tombstone Blues).  Like a Rolling Stone se  transfigurou em Como Uma Pedra a Rolar, outro tom dado à mensagem de Dylan sobre os riscos de cortar as amarras demais e ser levado pelo vento. “Deve ser ruim/ Não ter onde ficar/ Completamente sozinha/ Como uma pedra a rolar”.  Entre outras,  a bandeira do Nordeste de Zé transforma o Mr. Tambourine Man, de Dylan, em  Jackson, o Mr.  do Pandeiro.

Sempre atual em sobras de estúdio ou clássicos

Nem sempre algo em demasia pode ser considerado excesso. Pelo menos em casos como o do cantor, compositor e trovador americano Bob Dylan, que volta a invadir positivamente as prateleiras brasileiras. Seja em homenagem prestada pelo fã e também músico Zé Ramalho ou em lançamentos inéditos e reedições de seus trabalhos.

Quase que ao mesmo tempo, chegam ao mercado brasileiro a reedição do aclamado sexto álbum da carreira de Dylan, Highway 61 Revisited (lançado em 1965 e que estava com edição nacional esgotada), e o inédito  Tell Tale Signs, oitavo volume da badalada série  The Bootleg Series, que vem em edição  com CD duplo e 27 faixas.

E  foi o próprio Dylan que criou a série Bootleg (algo como “disco pirata”), em 1991, que resgata gravações extra-oficiais não editadas em discos.  Assim ele poderia passar ao público jóias raras de seu arquivo, como gravações inéditas e versões alternativas de faixas que geraram grandes álbuns.

Não é diferente nesse oitavo braço da série. O álbum abraça os anos de 1989 a 2006 e passa por momentos de discos como, Oh Mercy (1989), Time Out Of Mind (1997), Love And Theft (2001) e o mais recente, Modern Times, lançado há dois anos. É uma raspada de tacho muito bem-feita, que mostra que as faixas que ficaram de fora dos álbuns, de tão bacanas, não poderiam ser consideradas restos de estúdio.
  
O produto ainda vem com um belo  encarte de 62 páginas, fotos raras, textos e todos os créditos das gravações. Há ainda uma edição de luxo limitada, que será lançada com três CDs, 12 canções extras e um livro de capa dura com todas as capas dos singles que ele lançou na carreira. Ou ainda uma edição com quatro LPs gravados em vinil 180 gramas.

Já a reedição de Highway 61 Revisited segue tão atual como em 1965, ano em que ele redefiniu parte dos rumos que a música pop-rock tomaria por diante com composições eternas como Like A Rolling Stone, Tombstone Blues e From a Buick 6.

Serviço:

Tá Tudo Mudando
Zé Ramalho
EMI
R$ 34,90 (DVD)
www.emi.com.br 

Tell Tale Signs - The Bootleg Series Vol. 8
Bob Dylan
Sony BMG
R$ 36,90
www.sonybmg.com.br

Highway 61 Revisited
R$ 25

 

 
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